Mãe atribui morte do filho à negligência por falta de internação na Santa Casa

“Se tivesse internado na Santa Casa, o Gabriel não teria morrido”, diz inconsolável a mãe que registrou ocorrência na polícia e quer saber por que o filho morreu?  

Inconsolável a mãe Ana Queli visita o túmulo do filho Gabriel no cemitério colinense.

Para uma mãe ouvir os pedidos de ajuda do filho, uma criança e não poder aliviar o seu sofrimento é muito doloroso, “algo que não dá para esquecer”, diz inconformada Ana Queli Ribeiro de Paula Souza, de 31 anos, que no último dia 12 sofreu a maior perda da sua vida, a morte do filho Gabriel de Paula Souza Mariano que tinha apenas 7 anos.

A causa da morte da criança ainda está sendo investigada, mas a declaração de óbito aponta que a criança morreu de choque séptico, celulite periorbitária e sinusite bacteriana. O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbitos (S.V.O.) que colheu material para exame que irá apontar porque a criança faleceu. O laudo não tem prazo para ser divulgado, mas deve ocorrer em cerca de 30 dias.

O calvário da família começou no último dia 4 quando Gabriel passou pela primeira vez no Pronto Atendimento Municipal com tosse e dor de cabeça. Foi receitado xarope e inalação. “Ele não tinha problemas de saúde e sempre foi uma criança saudável, hiperativa que não perdia o apetite por nada e nem resfriado deixava ele quieto”, relatou a mãe que no dia 7 retornou ao PAM desta vez o menino apresentava o olho inchado. “Ele não tinha febre e nem sinal de picada que justificasse o olho inchado. A médica perguntou se ele tinha alguma alergia, receitou um analgésico e viemos embora”.

PEDIATRA DE POSTINHO SOLICITOU INTERNAÇÃO

A consulta com a pediatra na Unidade Básica de Saúde do bairro São Sebastião aconteceu na segunda-feira, dia 10. “Eu disse à pediatra que não adiantava me encaminhar ao Pronto Socorro porque já tinha estado lá duas vezes e o aparelho de raio x para fazer a chapa da cabeça estava quebrado. Ela então pediu para o Gabriel tomar soro antes de ir para a Santa Casa de Barretos para fazer o raio x, os exames de sangue e urina para descobrir a causa do inchaço e das dores que ele sentia. Junto com o pedido de internação tinha uma folha com todas as medicações que ele tomou e estava tomando”, contou Ana que acrescentou, “se o Gabriel tivesse ficado internado da primeira vez as chances dele sobreviver seriam maiores porque o tempo para detectar o problema e da medicação fazer efeito seriam maiores, não às pressas como tudo foi feito dois dias depois”.

Após a consulta com a pediatra, na segunda-feira, dia 10, a mãe e o filho foram primeiro para o PAM, como é de praxe e depois transferidos de ambulância para o Pronto Socorro da Santa Casa. “Com o soro que tomou na veia aqui em Colina o Gabriel deu uma melhorada e em Barretos foi atendido por um médico, que não me recordo o nome, que não usava roupa de médico e parecia estar saindo do plantão. O Gabriel disse que a cabeça dele ardia e quando o médico colocava a mão na testa ele reclamava de dor. O médico precisou abrir o olho, que não estava vermelho, porque ele já não conseguia mais. Ele disse que era terçol e liberou a gente para voltar para casa e procurar um oftalmologista, mesmo eu dizendo das dores que meu filho sentia na cabeça e agora também na barriga não adiantou. O Gabriel tinha fraqueza porque fazia dois dias que não comia, tudo que caía no estomago vomitava. Começou a pedir para tomar banho sentado, parou de brincar e os barulhos o incomodavam”.

A mãe relatou que neste dia o Gabriel apresentou sinais de melhora. “Enquanto esperávamos a ambulância em Barretos ele tomou refrigerante, comeu um salgado e o doce que mais gostava. Parece que foi uma despedida. Depois o inchaço aumentou e só a água quente do chuveiro aliviava a dor na cabeça, que não cessava e incomodava ele demais”.

INTERNAÇÃO NÃO ACONTECE E QUADRO SE AGRAVA

A consulta no oftalmologista aconteceu na terça-feira, dia 11. “Tive que buscar ele na granja, onde a gente morava e retornar em 15 minutos. Ele já não dava mais conta de subir na moto e meu pai levou a gente de carro. Dissemos a mesma coisa para o oftalmologista da rede pública, que a cabeça e a barriga doíam, mas não tinha febre. O médico disse que poderia ter caído algo no olho e ele coçou, causando infecção. Receitou antibiótico e pediu para fazer compressa de água quente para aliviar. Além de não comer mais sozinho, a urina do Gabriel estava bem escura. Nessa noite não dormi porque meu filho começou a sentir falta de ar. Ele dizia que a cabeça ardia e pedia para colocar a mão no coração dele que batia bastante acelerado”.

Na quarta-feira, dia 12, a mãe retornou à pediatra do postinho com o filho. “A médica ficou nervosa porque não tinham internado o menino como havia recomendado na segunda-feira.

PEDIATRA ACOMPANHA MENINO ATÉ O PAM

A pediatra cancelou os atendimentos no postinho e acompanhou a mãe e o menino que foram transportados pela ambulância do Samu até o Pronto Socorro. “Pedi a todo tempo para fazer os exames de urina e de sangue, mas ninguém me atendeu. A médica pediu urgência e com ela fizeram. Foi preciso colocar sonda no Gabriel para coletar a urina para o exame. Um plano de saúde faz falta, se tivesse meu filho não teria morrido”, desabafou Ana Queli.

 “A médica plantonista e um enfermeiro nos acompanharam até a Santa Casa e já colocaram o Gabriel no aparelho para respirar. No trajeto, quando tirava a máscara ele começava a chorar. Na Santa Casa pediram a carteira de vacina dele e estava em dia. Eu pegava na mão dele e cada vez estava mais gelada. Neste dia fizeram tudo de uma vez, raio x, exame no coração, etc. Ele já estava muito fraquinho, não aguentou. Meu filho começou a perder a consciência, não respondia mais aos estímulos, sendo entubado e sedado. Da clínica pediátrica foi direto para a UTI e algumas horas depois não resistiu e morreu. Antes ainda tentaram reanimá-lo por 45 minutos, mas não voltou. Nem eles sabiam de onde estava vindo a infecção que era muito forte”.

“Agora, convivo com a dor, o desespero e a tristeza, mas me resta um pouco de forças para buscar, a todo custo, o direito de saber qual o motivo da morte do meu Gabriel”, finalizou emocionada a mãe.

Gabriel morreu no dia 12, às 18 horas e o corpo só chegou a Colina no dia 13, às 14 horas, após ser examinado pelo S.V.O. (Serviço de Verificação de Óbitos) que irá apontar a causa exata da morte. O velório, que foi com o caixão aberto, durou poucas horas e o enterro aconteceu às 17 horas. Gabriel era o 2º filho do casal Adriano Mariano/Ana Queli que é casado há 16 anos e tem mais três filhos: Maria Eduarda, 14 anos, Miguel 3 e Milena, de 2 anos. No dia seguinte ao sepultamento a família se mudou da granja onde morava para a casa que fica nos fundos dos avós das crianças, no Jardim Santa Lúcia.

CRIANÇA RECEBEU TODO ATENDIMENTO

Em nota a secretária municipal de Saúde, Dra. Sadia Daher Rodrigues Ferreira, fez os seguintes esclarecimentos:

“A criança recebeu todo atendimento necessário, tanto no Pronto Atendimento Municipal como na Unidade Básica de Saúde do bairro São Sebastião. A médica pediatra, após atendimento na UBS São Sebastião, encaminhou a criança ao PAM, na segunda-feira, dia 10, indicando a transferência da mesma para a Santa Casa de Barretos, para internação e exames que o caso requeria, inclusive uma tomografia de crânio. A criança foi transferida para a Santa Casa por volta das 12 horas, foi avaliada pelo médico o qual disse não ser necessário internação e encaminhou para o oftalmologista, assim a criança retornou para casa no mesmo dia.

Na terça-feira, dia 11, a criança foi avaliada pelo oftalmologista da UBS/Itacy que a medicou e liberou. Na quarta-feira, dia 12, devido à piora do quadro a mãe retornou à UBS São Sebastião onde foi atendida novamente pela pediatra a qual a encaminhou com urgência ao PAM e daí para a Santa Casa de Barretos. Enquanto aguardava a autorização da transferência foram realizados exames e feito medicação de urgência no PAM-Colina. A médica mostrou preocupação e eficiência ao dedicar atenção especial à criança, inclusive solicitando a presença do Samu para rápida remoção ao PAM para então proceder a transferência na companhia da médica de plantão.

A não internação no dia 10 foi por decisão do médico que a atendeu na Santa Casa, mesmo com a carta da pediatra relatando o caso. A transferência é realizada para a Santa Casa pois a mesma é nossa referência, conforme as normas do SUS”. A Secretaria de Saúde aguarda o laudo do Serviço de Verificação de Óbitos para o diagnóstico do caso.

SANTA CASA NÃO SE MANIFESTOU

A reportagem enviou algumas perguntas para o setor de comunicação da Santa Casa de Barretos no último dia 18, solicitando as respostas até ontem, 11 horas, mas não obtivemos respostas. Reiteramos o pedido por telefone, ontem pela manhã e o responsável pelo setor disse que havia encaminhado o pedido ao médico que até então não havia respondido as perguntas.

A mãe Ana Queli com a foto do filho, a certidão de óbito e a ficha de internação na Santa Casa.


Postado em 22/07/2017
Por: A Redação
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