Apicultores relatam ao MP que pulverização aérea tem matado abelhas

Grupo pede participação da população em abaixo-assinado contra a pulverização aérea nos canaviais

Os apicultores Ellis, José Antônio e Daniel mostram o documento que encaminharam ao Promotor de Justiça.

Três apicultores da cidade procuraram o Ministério Público no último dia 18 e protocolaram documento em que declaram que o veneno utilizado nos arredores das propriedades tem matado os enxames. 

Eles estiveram na redação deste semanário na manhã de segunda-feira e disseram que foram orientados pelo funcionário da promotoria a reunir provas que serão anexadas ao documento. Os apicultores também apresentaram o exemplar do jornal “O COLINENSE” com a matéria veiculada, no mês de dezembro, sobre esta prática nociva que tem causado grandes estragos ao meio ambiente. A reportagem teve grande repercussão, tanto que recebemos várias ligações de munícipes que também são contra a pulverização aérea já que o veneno é propagado pelo ar, causando doenças ao ser humano que respira essa substância nociva.

Eles relataram que a pulverização aérea ocorrida neste mês matou uma grande quantidade de abelhas e que o veneno utilizado está mais forte do que antes porque não dá tempo nem dos insetos retornarem a colmeia. “Se a aplicação do inseticida fosse feita com trator não afetaria tanto porque a quantidade de água usada na diluição é maior, tornando o veneno mais fraco. Com o avião o veneno tem que ser bem dizer puro porque a pulverização é feita muito alta. É preciso utilizar um veneno menos prejudicial e aplicá-lo da forma correta, sem o avião”, explicou o apicultor José Antônio de Oliveira “Xanga” que nos últimos anos perdeu mais da metade das colmeias que tem com o sócio Ellis Vaz de Almeida Sobrinho, que também esteve no Ministério Público.

“Não é possível essa situação continuar, é preciso tomar providências. A quantidade de abelha que já perdemos é incalculável, inclusive já mandamos os insetos mortos para análise que comprovou a morte por uma grande quantidade de veneno. O resultado da análise vai servir de prova e será entregue no Ministério Público”, destacou Ellis.

COLMEIAS ESTÃO VAZIAS

Os apicultores também contam com o apoio de Pasqual Lourenço da Silva e esposa Almezira que criam abelhas desde 1970 e nunca viram uma situação como de agora. “Está morrendo muita abelha e tenho colmeia que está vazia. É uma barbaridade o que tem acontecido nos últimos cinco anos. Na década dos anos 70 com 40 colmeias cheguei a colher 2 mil litros por ano de mel e agora as 100 colmeias não chegam a produzir 30 litros. Tiramos só 30% da produção porque não dá tempo, o veneno chega antes e destrói tudo. Você anda na roça e não vê mais marimbondo e nem mangava que foram exterminados”, contou o casal de apicultores.

NEBULIZAÇÃO DA DENGUE TAMBÉM  MATOU ENXAMES

O apicultor Daniel Pequeno da Silva, que também protocolou o documento na Promotoria, disse que perdeu os enxames de abelha da espécie jataí, sem ferrão, depois que a nebulização da dengue passou em sua casa na Cohab 3 no ano passado. “A pulverização da dengue matou minhas abelhas justo no momento que iria fazer a primeira colheita de mel. O inseticida foi aplicado num horário inadequado, às 15h, quando as abelhas estavam dando o último voo em busca de alimento antes de retornar à colmeia. O fumacê deveria ocorrer após às 17h quando as abelhas estão dentro da caixa e não correm risco. Uma única abelha atingida contamina tudo, o mel, própolis, etc. Perdemos até a caixa que precisa ser descartada”, relatou Daniel.

“Não adianta o município promover o curso em parceria com outros órgãos, departamentos e sindicatos, vir professor, a gente ceder a propriedade e o apiário se no próprio curso vemos as abelhas morrendo por causa do veneno jogado pelo próprio homem”, reforçou Ellis que explicou, “as abelhas são fundamentais na polinização e sem elas a humanidade corre um grande risco de morrer de fome. Precisamos nos preocupar porque o extermínio das abelhas atingiu o ápice e necessitamos agir antes que seja tarde”.

PRODUTIVIDADE NÃO É JUSTIFICATIVA

“A gente trabalha, luta, captura abelha da cidade e leva para o mato, mas todo esforço é vão porque o veneno elimina tudo num segundo. As abelhas como outros insetos, pássaros e animais estão vindo para a cidade em busca de comida porque na zona urbana tem menos veneno do que na roça. Diziam que a fumaça da palha da cana era prejudicial, mas a poluição de hoje é bem maior do que há alguns anos atrás. Estamos respirando uma substância nociva, muito prejudicial à saúde”, desabafou Xanga que ressaltou, “se continuar assim daqui a pouco eu não terei como trabalhar e sustentar minha família”.

Os apicultores ainda disseram que o discurso da produtividade com o aumento do consumo não justifica esse crime praticado contra o meio ambiente. “Se o veneno está matando o ser humano daqui a pouco não vai ter quem consuma”, salientaram os apicultores.

MAPEAMENTO E ABAIXO-ASSINADO

Os apicultores também sugeriram que seja feito um mapeamento dos apiários com a ajuda da Casa da Agricultura, que poderia auxiliar nesse trabalho. “É preciso trabalhar em parceria para que esse crime contra a natureza não seja mais cometido. Os mapas seriam entregues às usinas para que tenham conhecimento da localização dos apiários”, salientou Ellis que também disse que o grupo de criadores também vai fazer um abaixo-assinado para que todo cidadão, da zona rural ou da cidade, que é contra a pulverização aérea possa participar. Mais informações podem ser obtidas pelos fones 98117-5565 / 3341-1641 (Ellis) ou 99259-7353 (Xanga).

O grupo conta com o apoio de vários outros apicultores que se uniram à causa, como o casal Pasqual/Almezira que está no ramo há mais de 45 anos.


Postado em 27/01/2018
Por: A Redação
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