Dar esmola não ajuda e atrapalha atendimento para tirar pessoa da situação de rua

CREAS é a porta de entrada para aplicação de políticas socioassistenciais

Quiosque na praça central tornou-se a “casa” dos moradores de rua, que vivem de doações da comunidade.

Quase todo mundo já foi abordado na rua, em casa ou no trabalho por pessoas que não têm endereço fixo e vivem em locais públicos pedindo dinheiro, comida e roupas para sobreviverem. Infelizmente a caridade e o espírito solidário das pessoas acaba mantendo os moradores de rua nessa situação.

A reportagem acompanhou alguns deles que vivem no quiosque da praça matriz. Muitos já passaram por ali e um grupo de três pessoas, às vezes mais ou menos, permanece no local que inclusive até já abrigou um bebê com poucos dias de vida. Um desses moradores também acabou falecendo recentemente. O grupo divide tudo que ganha com os cachorros que os acompanha. O quiosque se tornou a moradia deles, onde mantém utensílios, cobertores e papelões que utilizam para dormir ali mesmo.

“AQUI NÃO PASSAMOS FOME E NEM FRIO”

Alguns dos andarilhos relataram que aqui em Colina os moradores ajudam e que não passam fome e nem frio, motivo pelo qual permanecem na cidade. O detalhe é que o dinheiro que ganham é usado para matar a fome, mas também é utilizado para sustentar o vício no álcool, cigarro e, em alguns casos, até nas drogas. 

Pode parecer desumano e até contrário aos ensinamentos cristãos, mas dar esmola não ajuda e incentiva o pedinte a permanecer nessa situação. A maioria das pessoas fica penalizada e acaba cedendo, porém agindo dessa forma não estão resolvendo o problema, mas adiando a solução. É preciso deixar a assistência oferecida pelo município agir para tirar essas pessoas da rua, ou até mesmo encaminhá-las a cidade de origem através do contato com a família.

SOLUÇÃO: ORIENTAÇÃO E ENCAMINHAMENTO

A melhor maneira de ajudar é encaminhar as pessoas em situação de rua ao CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social, que é o órgão  que orienta as pessoas que necessitam de ajuda, desde que seja solicitado. A equipe é composta por psicólogos e assistente social.

A psicóloga Fernanda Poleto, que é coordenadora do Creas, disse que a responsabilidade do atendimento é uma ação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, por meio do trabalho conjunto da Assistência Social e Creas que executam o Serviço de Proteção Especial de Média Complexidade no município. Com o desenvolvimento deste trabalho alguns já retornaram para as cidades de origem, outros conseguiram tratamento para reabilitação de dependências químicas e, até mesmo, reinserção no mercado de trabalho.

A comunidade e órgãos públicos também podem relatar os casos ao Creas, que aconselha a população a não dar ajuda, mas encaminhar as pessoas em situação de rua ao órgão para a intervenção socioassistencial. “Não temos controle da ajuda dada, mas os munícipes que se depararem com estas pessoas deverão encaminhá-las ao Creas ou informar o local em que se encontram com demais informações relevantes”, explicou Fernanda que acrescentou, “existem relatos de alguns deles que não querem ir embora de Colina e nem deixar de viver dessa forma, pois gostaram da cidade e das pessoas. Isso prejudica o trabalho da equipe, pois essas pessoas em situação de rua ficam confusas e não seguem nossas orientações”.

PERMANÊNCIA AGRAVA PROBLEMA

Ela informou que exis-tem pessoas em situação de rua que são de Colina e também vindas de vários municípios de outros Estados. “Normalmente os motivos são diversos e comuns: ausência de oportunidades, conflitos familiares, desemprego, alcoolismo, toxicodependência, rupturas afetivas e delitos. O melhor é encaminhá-los ao Creas a fim de receberem auxílio da equipe técnica, profissionais especializados para orientá-los e atender as necessidades das pessoas em situação de rua”, explicou a psicóloga. Ela também salientou que, “todo auxílio sem orientação e sem acompanhamento contribuiu para mantê-los em situação de rua, afasta essas pessoas cada vez mais da cidadania e dos direitos como cidadãos. O indivíduo que se encontra nas ruas é vítima dos direitos violados. As consequências são o agravamento de problemas de saúde, prostituição, delitos, brigas e todos os outros tipos de violências”.

VÍNCULO DE CONFIANÇA

A coordenadora detalhou como o trabalho é realizado. “Inicialmente buscamos um vínculo de confiança, oferecemos atendimento psicossocial, ajuda com documentações, encaminhamentos para as Unidades Básicas de Saúde e, dependendo da necessidade e vontade singular de cada um, buscamos internações em Comunidades Terapêuticas. Além disso, efetuamos tentativas de contato com os familiares com a finalidade de reinserção dessas pessoas aos vínculos familiares. Também buscamos oportunidades para ingressarem no mercado de trabalho, tratamento de saúde quando necessário, entre outros”.

A porta de entrada para tentar resolver o problema é o Creas que, conforme a necessidade, aciona outros segmentos, tais como as Secretaria Municipais de Saúde e Desenvolvimento Social, Segurança Pública, Pronto Atendimento Municipal, Comunidade Terapêutica, Casa de Passagem e Centro Dia (Barretos). “É importante salientar que esse trabalho é lento, considerando que essas pessoas podem não apresentar informações coerentes, uma vez que estão normalmente embriagadas e confusas, dificultando a intervenção da equipe técnica socioassistencial”.

DEMANDA AUMENTA EM PEQUENOS MUNICÍPIOS

A Secretaria de Desenvolvimento Social, por meio do Creas, possui um controle de todos os usuários de políticas socioassistenciais atendidos, pessoas em situação de rua e migrantes, quantidade de abordagens sociais de rua feitas pelas técnicas sociais, benefícios eventuais e demais orientações psicossociais. “Antigamente muitas pessoas passavam por aqui pedindo passagens e ficavam um dia ou outro em Colina. Mas nos últimos meses, e pela profunda desigualdade social, essa demanda tem aumentado significativamente, principalmente em municípios pequenos”.

A assistência às pessoas em situação de rua é uma das atribuições do Creas, que também desenvolve outros tipos de atendimentos direcionados às famílias, crianças, idosos, mulheres que tenham sofrido algum tipo de violação de direitos, acompanhamento de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de liberdade assistida e de prestação de serviços à comunidade, encaminhados pelo Poder Judiciário, entre outros. O Creas também trabalha através de encaminhamentos da Rede Municipal e de denúncias anônimas feitas pelo “Disque 100”, “Disque 180” ou pelo fone 3341-8119.

O quiosque da praça central tornou-se a “casa” dos moradores de rua.


Postado em 23/02/2019
Por: A Redação
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