Indiciado pela morte de “Branco” é preso em rancho no Prata

Motivação e dinâmica de como crime aconteceu ainda é um mistério para a polícia, que dá detalhes da investigação e do monitoramento que culminou com a prisão

Cinco meses foi o tempo em que o indiciado, de 23 anos, ficou foragido da justiça. Ele fugiu no final de maio quando teve a prisão temporária convertida em preventiva. Desde então o SIG - Setor de Investigação Geral da Polícia Civil de Colina monitorava os celulares dele, um dos denunciados pelo assassinato de Laerte Izopp “Branco”, de 53 anos, morto com um tiro na cabeça. O corpo foi encontrado na zona rural no dia 17 de maio deste ano, três dias após o desaparecimento da vítima.

A prisão aconteceu na quinta-feira, dia 31, em um rancho do povoado do Prata, região entre Guaraci e Barretos, onde o indiciado estava escondido há cerca de uma semana. A equipe do 3º DP de Barretos obteve informação  que apontava para o sítio que foi monitorado durante todo o dia. A operação terminou por volta das 16h30 quando os policiais, disfarçados de pescadores que queriam informações para alugar o rancho, bateram palmas no local e foram atendidos pelo proprietário, que é colinense e irá responder por favorecimento pessoal. O denunciado foi encontrado escondido em um dos cômodos com a namorada, que é irmã do outro envolvido no assassinato, de 22 anos, que está preso desde junho no CDP de Taiúva. Com o indiciado preso no último dia 31, que também é investigado por estelionato, foram apreendidos cinco cheques de valores altos e pertencentes a diversas pessoas. No momento da prisão ele não prestou nenhuma informação e disse que só falaria em juízo.  Ele foi conduzido ao 3º DP em Barretos e posteriormente trazido pelos policiais civis colinenses João Vitor e Leonardo, que acompanharam a prisão, à cadeia de Colina onde permanece recolhido até a transferência para o CDP de Taiúva. A prisão só se deu pelo excelente trabalho da Polícia Civil de Colina que apurou a autoria e identificou os envolvidos.

SIG SEMPRE MONITOROU DESLOCAMENTO DO FORAGIDO

Desde a expedição do mandado de prisão a equipe da Polícia Civil de Colina estava no rastro do paradeiro pelo monitoramento dos celulares e trabalhando em conjunto com os policiais de outras localidades para a captura do foragido. “Tínhamos a informação, a princípio, que estava na cidade de Fronteira-MG, porém o monitoramento mostrava somente o quadrante da região, uma área bem grande,  mas não determinava o local exato do esconderijo. Inclusive entramos em contato com os policiais de lá que fizeram diligências para encontrá-lo. Ele soube que a polícia estava no seu encalço e mudou de lugar. Acompanhamos os policiais de Guaraci, onde se deu a prisão, que nos últimos dias receberam informação do rancho e fizeram diligências com viaturas descaracterizadas”, informaram os policias Thalles e João Vitor que acompanharam as investigações e esclareceram também: “a informação do local exato foi obtida pelos investigadores de Barretos que realizaram a captura, mas o monitoramento e as investigações continuaram a ser feitos pelo SIG de Colina, que levantou as provas e concluiu o inquérito policial enviado ao Ministério Público. Em nenhum momento o SIG de Colina deixou de monitorar o foragido. Ele se movimentou o tempo todo no período em que esteve foragido, sendo rastreado próximo a Araraquara, em Ribeirão Preto, Praia Grande e ficou um bom tempo em Fronteira. A prisão dele era uma questão de tempo porque ninguém consegue ficar um longo período escondido”. 

Alguns dias antes da prisão a Polícia Militar comunicou a Polícia Civil que havia informação de que ele estaria na casa dele em Colina. “Nos dirigimos juntamente com a PM até lá, fizemos buscas na residência e não o encontramos. Os familiares nos comunicaram que ele iria se entregar na audiência ocorrida no Fórum na última segunda-feira, onde seria feita a pronúncia do indiciado por homicídio qualificado juntamente com  o cunhado. Se a justiça considerar que há indícios de autoria e materialidade os dois denunciados pelo crime serão julgados pelo Tribunal do Júri. Não há mais nada a ser feito na esfera investigativa, que está concluída. A denúncia foi feita baseada no inquérito policial onde foram colhidas bastante provas que os dois agiram no caso”, informaram os policiais.

MOTIVAÇÃO E DINÂMICA DO CRIME SÃO DESCONHECIDAS

A polícia ainda não sabe qual a motivação e a dinâmica do crime porque os envolvidos não deram essas informações. “Há várias hipóteses, mas infelizmente não dá para saber qual delas se aplica ao crime porque os dois se negam a falar. Até agora não se sabe o que aconteceu antes do homicídio, se há mais envolvidos, se a vítima foi morta no local ou o corpo foi transportado até lá, etc. O primeiro envolvido preso sempre negou e deu algumas versões contraditórias. O outro, que foi a última pessoa que esteve com Branco, diz que só falará em juízo. Ele até chegou a ser ouvido, informalmente, quando ainda era considerado como testemunha e não havia nada que comprovasse o seu envolvimento no caso. A gente foi analisando e interligando os fatos, angariando provas e realmente constatamos a participação deles, mas ainda não sabemos quem deu o tiro. O laudo necroscópico apontou que  Branco levou uma pancada antes do disparo. A cronologia e a ordem dos fatos são uma incógnita. Quem pode esclarecer a dinâmica são os próprios denunciados, se eles falarem à justiça”.

PERÍCIA INDICA PARTICIPAÇÃO DE PELO MENOS DUAS PESSOAS. HOMICÍDIO OCORREU NO DIA DO DESAPARECIMENTO

A perícia feita no local e no corpo concluiu que uma pessoa sozinha não seria capaz de carregar o corpo, passá-lo pela cerca e arrastar o cadáver até o brejo, uma área em declive e de difícil acesso. Outra conclusão do perito é que Branco foi morto no dia do desaparecimento. O perito concluiu que pelo menos duas pessoas agiram no crime. O corpo também estava com os sapatos e com a camisa por dentro da bermuda e sem sinais de que foi arrastado. “No local não foram encontrados vestígios de sangue, o que indica que Branco já estava morto quando o corpo foi deixado no brejo. Também constam como provas as imagens das câmeras que mostram toda movimentação de Roger no dia do sumiço da vítima e dos históricos de ligações entre os dois envolvidos no dia dos fatos”.

LIGAÇÃO FOI FEITA COM CHIP COMPRADO UM DIA ANTES DO CORPO SER ENCONTRADO

Os policiais também foram atrás de quem ligou para o policial militar, dando a localização exata do corpo. “Um dia antes do corpo ser encontrado o primeiro envolvido preso comprou um chip, o habilitou com dados falsos e pediu para a tia fazer a ligação. Se ele fosse apenas uma testemunha iria se preocupar com todos esses detalhes para não ser descoberto? Ele queria informar sem deixar rastro para não ser colocado na cena do crime. Outra incógnita é porque ele queria que o corpo fosse encontrado. O que falta agora é ligar os pontos e determinar a participação de cada um no homicídio. A arma do crime ainda não foi encontrada”, relataram os policiais durante entrevista exclusiva à reportagem.

A sociedade merece uma resposta por esse crime bárbaro, que tirou a vida de um pai de família, trabalhador que não merecia perder a vida desta maneira. A família de Branco não quis se pronunciar a respeito da prisão, apenas clama que a justiça seja feita e que os envolvidos sejam julgados com todo rigor da lei.

Policiais e perito no local onde o corpo foi encontrado no dia 17 de Maio.

Laerte Izopp “Branco” assassinado brutalmente.

 

 


Postado em 09/11/2019
Por: A Redação
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