Asilo está sob intervenção para receber orientação do uso correto de benefício dos idosos

Desde o início do mês de maio o Asilo São José, obra unida à Sociedade São Vicente de Paulo, está sob intervenção interna do Conselho Central de Barretos/Metropolitano de São Jose do Rio Preto, que nomeou Yukio Nagata, que é voluntário e vicentino há 22 anos, como presidente e interventor da entidade inicialmente pelo período de três meses, podendo ser prorrogada.

A medida foi um pedido de socorro feito pela administração do Asilo que estava sem saber como agir em certas questões, principalmente no que diz respeito ao uso dos 30% do benefício dos idosos acolhidos na instituição. A reportagem esteve com o interventor na manhã de segunda-feira, dia 14, que esclareceu a situação da entidade deixando claro que o processo da intervenção interna e educativa não é judicial e foi instituído para dar uma nova direção a determinadas situações que não estavam adequadas.

Como é voluntário, o interventor, que mora em Catanduva, costuma vir a Colina duas vezes por semana. Ele disse que o processo precisa ser conduzido por uma pessoa neutra, que não seja da cidade, para desvincular todas situações locais e vícios que normalmente acontecem em cidades pequenas como Colina.

CONTAS APROVADAS

“O termo intervenção é meio forte e logo se imagina que há coisa errada, mas não é bem assim. A prestação de conta do Asilo nas esferas municipal, estadual e federal está aprovada até 2020 e se não estivesse a entidade não continuaria a receber os recursos neste ano, que seriam bloqueados”, destacou Nagata que acrescentou: “A lei é bem exigente e determina que 70% do benefício do idoso seja usado no acolhimento e  os 30% é do idoso. A própria entidade identificou o problema e estamos aqui para dar esse apoio, orientar e direcionar as ações a partir de agora”.

A maioria dos idosos recebe R$ 1.100,00 de benefício, os R$ 770,00 são os 70% que o Estatuto do Idoso autoriza o asilo a usar para ajudar no cofinanciamento das despesas do idoso acolhido, que fica em torno de R$ 2.200,00 por mês e o asilo ao invés de usar para manutenção da instituição com melhorias acaba usando para custear os funcionários, pois todo mês ainda falta e o restante do benefício 30% em torno de R$ 330,00 é do idoso e deve ser destinado ao próprio idoso para ele fazer o que quiser, mas pode ser usado com o idoso com suas despesas individuais. O Asilo, fundado em 1958, abriga atualmente 34 idosos,  mas os repasses municipais (R$ 8 mil), estadual (R$ 3.770,00) e federal (R$ 570,00), todos feitos mensalmente, são insuficientes para cobrir os gastos mediante as inúmeras despesas com pagamento de salários da equipe técnica multidisciplinar, funcionários, conta de luz que gira em torno de R$ 2,5 mil/mês, alimentação, farmácia, material de limpeza, aquisição de equipamentos de proteção individual cujo uso aumentou com a pandemia, etc. “Não dá mais para tocar desta forma porque a lei exigiu a estrutura, mas esqueceu de atualizar os recursos para o atendimento. A função da intervenção é organizar para chegar num custo exato, que ainda não temos. A conta não fecha, o que se recebe com as subvenções e os R$ 770,00 dá menos de um salário mínimo por idoso, o que é insuficiente para cobrir os gastos. Além disso,atualmente, temos sete idosos que são grau 3 (acamados) e os custos são bem maiores”.

PANDEMIA IMPOSSIBILITOU EVENTOS

Ele disse que a pandemia impossibilitou a realização de eventos para angariar recursos financeiros. “O último evento aberto foi realizado há quase dois anos. Essas promoções alternativas dão renda e ajudam a custear o Asilo. O carnê praticamente tem mantido o pagamento dos funcionários e despesas. O objetivo é chegar num ponto que este custo operacional seja custeado pelo Estado e que as promoções melhorem a qualidade de vida dos idosos”.

A partir deste mês de junho o interventor determinou a separação individual dos 30% com abertura de conta poupança para cada um dos idosos. “Os acolhidos que têm condições de administrar a conta, o dinheiro será transferido automaticamente para uso específico do idoso. Os que têm curador será administrado por ele. Essa é uma nova maneira para prestação de conta individual e personalizada”.

RAIO X COM CERTIFICAÇÃO DIGITAL

Já foi solicitada uma certificação digital que vai dar o raio x da situação financeira que será apresentada à população para proteger a imagem da instituição como dos funcionários. “Centralizamos tudo num escritório especializado no 3º setor porque a contabilidade é bem complexa e leva tempo, já que entram no cálculo custo de doações e até mão de obra voluntária. Precisamos ser transparentes na prestação de contas porque saímos da caridade para trabalhar com verbas públicas. É um processo longo que já foi iniciado”.

O levantamento também será apresentado ao prefeito Dieb com quem o interventor já esteve reunido. “Somos parceiros da prefeitura e precisamos colocar o prefeito a par de todos esses custos reais. Ele se mostrou muito aberto e receptivo e nos pediu que apresentássemos esses custos na planilha certificada por profissional especializado”.

FECHAMENTO DESCARTADO

O interventor descartou o fechamento da instituição que presta um relevante serviço à comunidade. “Não queremos chegar neste ponto, temos carinho pelos profissionais e seres humanos acolhidos com os quais os vicentinos colinenses têm uma forte ligação. Há idosos que estão aqui há quase 23 anos e todos se tornaram uma família. Existem muitas regras para o acolhimento começando pela idade que é acima de 60 anos. No transcorrer das diretorias o desespero pelo dinheiro para conseguir pagar as contas abriu algumas brechas, mas isso não será mais feito de agora em diante. O acolhimento é uma questão técnica que exige avaliação e laudo que comprove o abandono e vulnerabilidade do idoso, que se acolhido passará a ser responsabilidade do Estado”, esclareceu Yukio.

Ele agradeceu tudo que a comunidade colinense fez pelo Asilo até hoje. “O Asilo, que está de pé há 62 anos, é uma obra de Deus. Agradecemos a ajuda da população colinense e dos vicentinos daqui, que são muito atuantes. Essa nova direção é para melhorar ainda mais a assistência aos idosos. O ex-presidente e a diretoria afastada estavam sem direção e orientação, mas tiveram boa vontade. Temos gratidão porque os idosos estão muito bem cuidados e nunca faltou nada que precisassem. A instituição é uma das únicas da região que não registrou nenhum caso de Covid”.

O interventor assumiu a presidência no dia 3 de maio e alguns dias antes, em 27 de abril, terminou o mandato da diretoria anterior. Nos últimos 4 anos a entidade teve como presidente Luiz Humberto Paro, que foi reeleito para o cargo. Por causa da situação o edital de convocação para a nova eleição ainda não foi publicado, o que será feito pelo interventor que também dará posse a nova diretoria eleita.

A entidade, fundada em 1958, atualmente acolhe 34 idosos.

O interventor Yukio Nagata que está no comando da entidade.

 


Postado em 17/06/2021
Por: A Redação
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